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Out 10

 Por: Kachipepe

 

Era um domingo por volta das 12 horas. Eu estava no Luanda Sul e precisava desesperadamente chegar ao bairro popular, no máximo em uma hora.

Não havia carona. De dinheiro no bolso, apenas 50 Kzs, em moedas metálicas, e uma nota de 5 dólares, novinha em folha.

 


 

Eu precisava chegar ao bairro popular de qualquer jeito para não perder um encontro importante. Os meus amigos já haviam ligado e eu dissera que estava a espera do taxi, e que em uma hora estaria no bairro popular. Caso eu não chegasse no horário combinado, podiam bazar e nem precisavam me entregar os 200 dólares.

Tentei esperar por um autocarro, mas demoravam muito, desisti da idéia. Apareceu um Candongueiro a chamar: “stalagem, stalagem...”. Rapidamente eu pensei, ‘se ele me levar até lá e me der um trocado qualquer, estarei no lucro’. Na cara dura, mandei parar. Antes de subir, expliquei ao cobrador que tinha apenas 5 dólares, perguntei se ele podia me levar e dar um troco já que eu precisava chegar ao bairro popular e não levava mais nenhum dinheiro.

O cobrador olhou-me de cima pra baixo, olhou pro motorista, que repetiu o gesto. Senti-me meio mal, mas não desisti. Não havia outra saída. O cobrador não disse nada, mas fez um gesto como que autorizando meu embarque. Não hesitei e subi carregando a minha mochila.

Quando estávamos a chegar no ponto final da viagem, o cobrador já estava a cobrar de todo mundo. Quando chegou a minha vez ele passou sem dizer nada. Pensei: “esses, gajos decidiram não cobrar me cobrar, que benção meu Deus!”

Estava enganado. Depois que cobrou de todos os passageiros, olhou pra mim e disse: “passa a massa”. Entreguei os 5 dólares. A nota era nova e valia aproximadamente 450 kzs. Ele olhou, olhou de novo e disse pro motorista;

- acho que essa nota é falsa.

 O motorista olhou pro cobrador, caprixou no mixoxo:

- quem é que vai se dar o trabalho de falsificar notas de 5 dólares, você burro ó quê?

O cobrador não disse nada. Pegou em 200 kzs e me deu de troco. Quando fui pegar no dinheiro ele falou sério, como que para inibir qualquer pergunta:

- o kota sabe que ninguém te troca 5 dólares na rua né?

Recebi o dinheiro sabendo que minha viagem tinha ficado pelo menos 150% mais cara. Mas como o objetivo principal estava a ser cumprido não reclamei.

Desci do carro e embarque em outro que me deixou no bairro popular dentro do tempo estipulado,incríveis 54 minutos. Não havia engarrafamento.

 

 

publicado por beco1001 às 16:02
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