12
Out 10

 Por: Kachipepe

 

Era um domingo por volta das 12 horas. Eu estava no Luanda Sul e precisava desesperadamente chegar ao bairro popular, no máximo em uma hora.

Não havia carona. De dinheiro no bolso, apenas 50 Kzs, em moedas metálicas, e uma nota de 5 dólares, novinha em folha.

 


 

Eu precisava chegar ao bairro popular de qualquer jeito para não perder um encontro importante. Os meus amigos já haviam ligado e eu dissera que estava a espera do taxi, e que em uma hora estaria no bairro popular. Caso eu não chegasse no horário combinado, podiam bazar e nem precisavam me entregar os 200 dólares.

Tentei esperar por um autocarro, mas demoravam muito, desisti da idéia. Apareceu um Candongueiro a chamar: “stalagem, stalagem...”. Rapidamente eu pensei, ‘se ele me levar até lá e me der um trocado qualquer, estarei no lucro’. Na cara dura, mandei parar. Antes de subir, expliquei ao cobrador que tinha apenas 5 dólares, perguntei se ele podia me levar e dar um troco já que eu precisava chegar ao bairro popular e não levava mais nenhum dinheiro.

O cobrador olhou-me de cima pra baixo, olhou pro motorista, que repetiu o gesto. Senti-me meio mal, mas não desisti. Não havia outra saída. O cobrador não disse nada, mas fez um gesto como que autorizando meu embarque. Não hesitei e subi carregando a minha mochila.

Quando estávamos a chegar no ponto final da viagem, o cobrador já estava a cobrar de todo mundo. Quando chegou a minha vez ele passou sem dizer nada. Pensei: “esses, gajos decidiram não cobrar me cobrar, que benção meu Deus!”

Estava enganado. Depois que cobrou de todos os passageiros, olhou pra mim e disse: “passa a massa”. Entreguei os 5 dólares. A nota era nova e valia aproximadamente 450 kzs. Ele olhou, olhou de novo e disse pro motorista;

- acho que essa nota é falsa.

 O motorista olhou pro cobrador, caprixou no mixoxo:

- quem é que vai se dar o trabalho de falsificar notas de 5 dólares, você burro ó quê?

O cobrador não disse nada. Pegou em 200 kzs e me deu de troco. Quando fui pegar no dinheiro ele falou sério, como que para inibir qualquer pergunta:

- o kota sabe que ninguém te troca 5 dólares na rua né?

Recebi o dinheiro sabendo que minha viagem tinha ficado pelo menos 150% mais cara. Mas como o objetivo principal estava a ser cumprido não reclamei.

Desci do carro e embarque em outro que me deixou no bairro popular dentro do tempo estipulado,incríveis 54 minutos. Não havia engarrafamento.

 

 

publicado por beco1001 às 16:02
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sinto-me:
música: tchill to night - Boyz II Men

23
Set 10

 Por: Kachipepe

 

Não é novidade pra ninguém, em Luanda, as coisas mudam muito rápido. Algumas não tão rápido assim, é verdade, mas mudam.

Alguns mambos mudam pra melhor e outros pra muito pior. Há mudanças que despertam a admiração e o reconhecimento de todos. Outras, fazem nascer e crescer muita indignação e revolta.

Reparando nessas mudanças, foquei minha atenção para uma que envolve Zungueiras e Candongueiros. Percebi que as Zungueiras evoluíram rápido e adaptaram-se aos novos ventos. Enquanto isso, os Candongueiros continuam na idade da pedra.

Alguém se lembra daqueles gritos que vinham da rua e que mais pareciam música: é carapau, é carapauééé... é lambula, é lambuléééé... E aqueles chamados: Prenda, Zamba 2; scongolenses, scongolense; Aza branca, Zé Pirão, Mutamba...

Pós é, o primeiro esta em extinção, ou melhor, estão bem diferentes. O segundo, éh pá! O segundo continua o mesmo, só aumentaram alguns nomes na letra da música. Nome de bairros novos, de novos pontos de referência pela cidade, pois se ela cresce as rotas de taxi não poderiam continuar as mesmas né?!

As Zungueiras, embarcaram nos ventos da globalização. Elas não se esgoelam mais. Agora, usam megafones. Gravam a sua mensagem, apertam o play e o mambo manda a mensagem pra todo mundo ouvir: “tem chinelo, tem Omo, tem... tem... ta bom ou num ta!!!” Dessa forma o investimento é só nas pilhas que precisam ser boas pra durar um bom tempo. Se o negócio não estiver a andar bem, elas param e gravam outra mensagem atualizando a promoção e vão embora porque o megafone faz o serviço.

Enquanto isso os cobradores de candongueiro continuam a chamar os clientes em viva voz, continuam a proferir gritando os seus destinos. Imagino que no final do dia devem ficar pelo menos um pouco roucos.

Mas então porquê não copiam só as Zungueiras?

Até aqueles cotas que vendem bombo com ginguba a noite, estão a deixar de usar candeeiros a petróleo, já estão a usar lanternas alimentadas a pilha.

Sinceramente acho que esta na hora dos candongueiros  reagirem. Será que não têm dinheiro pra investir?

publicado por beco1001 às 23:01
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sinto-me: casando
música: Candeeiro da vovó/ Zeca Pagodinho

16
Set 10
 

 

 

 

 

 

Por: Kachipepe

 

 

 


 

 

 

            Quando se fala em viajar pela TAAG, são comuns os relatos de serviços de má qualidade, a começar pelos insuportáveis atrasos, complicações nas reservas, incertezas no Check in, sem falar do mau humor das comissárias de bordo.

 

 

 

 
 
            Essa foto foi tirada em Setembro de 2009 no Aeroporto Internacional de São Paulo. Prestando atenção, é possível perceber que o voo da TAAG estava com previsão de chegar as 13horas, mas as 14:15h, horário da foto, o painel de chegadas internacionais informava que o avião proveniente de Luanda só estaria em solo as 17:00h.
Observando com um pouco de atenção é possível constatar um fator interessante: das 18 Companhias Áreas com previsão de chegada prevista entre das 13h as 17horas, apenas 5 aterraram com atrasos; Gol 7minutos, Air France 14 minutos, TAM 30 minutos e a nossa TAAG, impressionantes 4horas de atraso. 
 
A SURPRESA
 

 

Nos dias 28 de Junho e 28 de Julho viajei pela TAAG, no percurso São Paulo -Luanda e Luanda – São Paulo. O avião chegou, desembarcou, embarcamos e partimos para Luanda com pontualidade britânica (16:00h), o que permitiu desembarcar na Nguimbe, 30 minutos antes do horário programado. Foi impressionante. Podem acreditar, é a pura realidade.

 

 
 
Mas as surpresas não param por aí. Já em Luanda, numa das minhas passagens pela baixa da cidade, pra matar a saudade da terra, deparei-me com um outdoor anunciando em letras garrafais o número 923190000. Segundo a publicidade, eu podia ligar e ter acesso a vários serviços da TAAG pelo telefone, inclusive marcar a reserva sem me deslocar a qualquer guinche da companhia.
Fiquei surpreso e um pouco temeroso, é claro, afinal:  Isto é Angola!
Conversei com a minha velha sobre a novidade, também comentei com amigos sobre o novo serviço da TAAG. Eles foram unânimes em me desaconselhar a usar o serviço: meu, evita só aborrecimento ya. Já imaginaste chegar no 4 de Fevereiro pra fazer o Check in, você já bue bangão, e a M´boa te diz que o teu nome não esta na lista? Xé wi, se a fazer pessoalmente é o que se vê... é por telefone que nem estão a ver a tua chipala!?... Você é que sabe.
Confesso que tremi um coxe, afinal, além do constrangimento, caso o nome não estivesse na lista, vários compromissos ficariam pendentes no Brasil, além de não saber como ficaria a passagem se não viajasse naquele dia. Provavelmente teria de pagar mais alguma coisa.
Tomei coragem e resolvi ligar. Se eu não testar, não saberei se funciona ou não - pensei.
Liguei. Chamou a primeira e nada, a segunda e... atenderam. Fui tratado com atenção e cordialidade. Solicitaram-me o número do bilhete e o código de reserva e um telefone para contacto. Feito isso confirmaram a minha reserva para o dia 28 de julho. Agradeci e desliguei. Percebi que eu suava frio, minhas mãos estavam encharcadas de suor, mas... coragem, agora é esperar pra ver no que isso vai dar.
Durante os dias que antecederam a data da viagem minha ansiedade só crescia. No fundo eu estava desconfiado: e se isso não der certo?
Pasmem, no dia 26, uma segunda feira, dois dias antes do meu provável embarque, eu estava envolvido em outras atividades e até já tinha esquecido um pouco o assunto. Por volta das 15 horas, meu telefone tocou. Atendi. O interlocutor disse pretender falar com o Sr. Fulano e eu confirmei minha identidade. Então ele continuou, dizendo que falava da TAAG, que havia uma reserva em meu nome e que o objetivo da ligação era confirmar meu embarque na quarta feira seguinte. Respondi afirmativamente, na sequência me informou que minha reserva estava OK! E  que eu deveria apenas comparecer no aeroporto a partir das 5:30h para fazer o Check in.
Desliguei o fone. Estava feliz e incrédulo, ao mesmo tempo. Será isso verdade ou apenas pegadinha!?
Contei pra familiares e amigos. Não acreditaram; Se não viajares, serei o primeiro a te rir na cara ya – diziam zomboteiros.
Continuei com muito medo. No dia da viagem, acordei cedo e fui pro aeroporto. Eu estava tenso, tamanha era a minha ansiedade pelo desfecho da história. Na medida que me aproximava do aeroporto a ansiedade crescia mais ainda.
Já no 4 de Fevereiro, fui pra fila pro Check in. A bicha foi andando e chegou a minha vez. Apresentei o bilhete e o passaporte. A atendente pegou os documentos, digitou uns mambos no computador, folheou o passaporte, uma, duas vezes. Olhou pra mim, deu um sorriso enigmático e disse:
- o senhor não poderá viajar hoje!
           Nessa hora juro que gelei. Lembrei dos amigos e parentes.
- Porquê!? – perguntei, meio sem voz.
- O teu passaporte esta sem visto.
           Ufa! Que alívio. Expliquei o equivoco, disse que tinha visto sim e ela é que não havia reparado. A moça sorriu novamente, desculpou-se e concluiu dizendo:
- Desejo um Boa Viagem.
Respondi aliviado: Muito Obrigado.
Mas relaxado, fiz realmente uma ótima viagem e durante a viagem pensei: o novo serviço da TAAG funciona mesmo. Espero sinceramente que este seja um sinal da nova marca da companhia: Pontualidade, Qualidade nos serviços.
 


publicado por beco1001 às 17:12
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sinto-me:
música: Back of my lac - J. Holiday

13
Set 10

 Os notebooks são computadores portáteis úteis e indicados para trabalho, lazer e estudo. Mas algumas de suas funções são limitadas ao tamanho do aparelho, como o número de portas USB. Listámos sete acessórios que podem facilitar o uso e aumentar a produtividade do notebook, como teclado sem fio, hub para aumentar o número de portas USB e apresentador sem fio.

Teclado numérico

O Cordless Number Pad é o acessório indicado para pessoas que fazem cálculos no computador com frequência. Nele há teclas de atalho para o Excel, calculadora e navegador de internet. A comunicação do teclado com o computador é sem fio por meio de um receptor ligado à porta USB do computador.

Mini Hub

Aumente o número de portas USB com um mini hub, que permite conectar vários aparelhos ao mesmo tempo. O modelo MyUSB da Mtek possui um cabo curto e é indicado para notebooks.

Apresentador sem fio

O Presenter da Mtek aciona à distância as funções do computador durante a utilização de programas de slide, como o PowerPoint. Com este apresentador, o usuário pode acionar à distância comandos como avançar e pausar os slides. Há também um laser embutido e cronómetro com display LCD.

Múltiplo carregador

O C3 Tech Charger DUO é um carregador que possui 10 conectores. Ele é compatível com iPhone, alguns modelos de celulares e câmeras digitais, tocadores de MP3, entre outros. A alimentação do carregador é feita por meio de cabo USB ligado ao computador. Há também um adaptador que permite conectar o múltiplo carregador ao acendedor de cigarros automotivo.

Mini mouse

O mini mouse da Clone é uma opção para os usuários do notepad tradicional presente nos notebooks. O acessório conta com botão de rolagem luminoso, cabo retrátil e tamanho reduzido se comparado com e mouse comum.

HD externo

O disco rígido externo eGo da Iomega guarda os documentos como um pendrive, mas possui maior capacidade de armazenamento. Com ele, o usuário pode fazer cópias de segurança dos arquivos, salvar programas portáteis e transferir documentos de um computador para outro. Conexão e alimentação por meio de porta USB 2.0.

 

Fonte: www.ig.com.br

publicado por beco1001 às 13:31
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sinto-me: renovado

02
Set 10

Por: Kachipepe

Como já disse outras vezes, Candongueiro é Candongueiro.

Estava sentado no disputado banco da frente, mas deu pra ouvir a conversa que vinha da parte de trás do carro. Desta vez o assunto era a obrigatoriedade ou não do uso de luvas pelos agentes da policia de transito.

O assunto veio a tona depois que nos deparamos com a cena de um agente sem luvas a abordar um motorista. O carro era um Toyota rabo de pato vermelho e fazia processo alternativo na linha Camama 1 – Golfo 2.

Um madie que estava no Candongueiro berrou:

- Eu, sem luvas não dou as minhas cartas!

O outro rapaz que estava do lado diz:

- Pra quê só arranjar confusão com o agente. Usar luvas não é obrigatório.

Uma mama que viajava conosco entrou na conversa e acrescentou:

- Meu filho tens razão, a guerra já acabou pra quê mas confusão.

O autor da conversa ficou enfurecido e disse:

- Xé, é obrigatório. Não tem conversa, sem luvas brancas eu não apresento as minhas cartas. Eles também não nos entendem quando falta um papel.

- Mano, e o calor, não tens pena dos agentes? Trabalhar debaixo desse sol e ainda ter que usar luvas, não tens coração oquê? – comentou uma senhora.

O cobrador para não ficar de fora perguntou:

- Mas afinal luva é obrigatório ou não?

O motorista, no fundo de sua experiência lançou uma frase de efeito que encerrou a conversa:

Meus amigos, não adianta só filosofar bué: “A Gasosa é o melhor entendimento entre o polícia e o cidadão”Prontos, pra quê complicar.

 

 

publicado por beco1001 às 15:17
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sinto-me:
música: Meu Bem Querer - Djavam

25
Ago 10

Para nós torcedores do futebol(Angolano) ficamos triste quando os jornais noticiaram que David Dias foi demitido do Caála.

 

foto encontrada atraves de pesquisas na internet

 

Ninguém consegue dar motivos palpáveis e o pior é que em Angola parece que quando um chefe toma uma decisão todos obedecem e não se fala mais no assunto mesmo que a decisão seja errada. Nenhum jornal, pelo menos os que li, conseguio no mínimo especular um motivo. Conclusão, o grande trabalho que este treinador vinha desenvolvendo não só para o futebol do Recreativo da Caála mas também para o futebol Angolano, foi interrompido isso no momento mais delicado do campeonato onde o Caála(41 pontos) é o líder apenas com 1 ponto de vantagem dos grandes Petro de Luanda(40 pontos) e o clube dos sem gosto(40 pontos) que bateu o Caála na ultima jornada o que foi a primeira derrota de David Dias depois de 10 vitórias e 1 empate.

Sinceramente me parece falta de ambição dos dirigentes do Caála, faltando apenas 8 jogos para o fim do campeonato, demitir um treinador com resultados tão bons como esse só se tivesse ofendido a minha matriarca e os meus netos

 

 

 

publicado por beco1001 às 14:36
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sinto-me: tranquilo

18
Ago 10

 Por: Kachipepe


Candongueiro é candongueiro, não tem igual. Há coisas que só se vê ou se ouve num Hiace azul-e-branco.

Eu estava no Bairro Popular e precisava chegar ao Avô Combi. Embarquei no Candongueiro na CIMEX. O carro não tinha música, por isso demorou a lotar. Mas o facto de não ter música tornou o ambiente propício para as (hi) estórias e debates.

Passados alguns minutos de viagem, o motorista quebrou o silêncio e perguntou pro cobradou:

- Mô wi, será que a Beyoncè já viu rato na vida dela?

Todos ouviram a pergunta e se olham, uns até queriam rir, mas... é melhor evitar. O cobrador, pensou um pouco e disse:

- Epa meu, pra te falar a verdade, acho que aquela M´boa nunca viu rato.

Não foi possível conter a risada e os passageiros caíram na gargalhada.

Um kota, que estava sentado naquele banco próximo da bauca, rebentou já chateado com a conversa:

- Xé, ela é quem que nunca viu rato, num é psoa!? Kadie tuji masé.

Gargalhada generalizada no Candongueiro.

O motora retomou o assunto e explicou: Kota, ela é uma cantora das Américas, bué rica e, também bué gostosa ya! Só que não tenho pôster dela aqui ias galar o mambo.

Novas gargalhadas.

Não se dando por vencido o mais velho acrescentou: ainda me diz uma coisa: entre essa ai e os nossos ministros quem vive melhor? Na casa dos ministros também não tem rato, mas eles já viram.

O debate espalho-se e cada um tentava a seu jeito tratar do assunto, uns falam mais alto que os outros na tentativa de se fazer ouvir, até que alguém chamou a atenção de todos e disse:

- Se na casa dos ministros tem lixo, então pode ter rato também.

O kota retrucou:

- hum, quem te disse que na casa dos ministros tem lixo? Você anda aonde, você!? Por acaso já viste lixo no Talatona?

- Oh kota, os ministros também vivem no lixo. Se a lixeira não sta na casa dele, sta no vizinho ou então na rua dele, logo, ele vive no lixo, é o quê? Por mim a Beyoncé vive melhor que os nossos ministros sim!

O madie se inspirou e continuou:

- por exemplo, o ministro pode ficar no quintal dele a jibóiar? Claro que não, vai sair de lá todo empoeirado. Agora a Beyoncé pode. E ai te pergunto pergunto: Quem vive melhor?

Não houve resposta. Chegamos no Avô Combi e o cobrador começou a chamar Golfo 2, Golfo 2, de cinqüenta, Golfo 2.


 

publicado por beco1001 às 14:24
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sinto-me:
música: You don´t love me - Boyz II Men

13
Ago 10

 Eu como sou um grande cliente dos candongueiros de Luanda, apanho candongueiro pelo menos uma vez por dia tenho ouvido muitas (hi)estória. dizem até que um brasileiro escreveu um livro só com (hi)estórias que ouvia nos táxi, mas até agora não encontrei esse livro.

Como algumas delas são marcantes vou começar a postar aqui no beco. Estejam a vontade para subir  e ouvir as "(Hi)estórias no Candongueiro".

 

 

 

Uma moça estava a namorar um chinês mas a mãe dela não gostava e lhe avisava sempre – Esses chineses não prestam eu não te quero ver mais com eles.

Mas a filha estava cega de amores e continuava o romance com o chinoca, alguns meses depois apareceu o resultado ela estava grávida. Mas, quatro meses depois  o bebe o morreu.

No óbito a mãe então começou a lamentar – Minha filheeee!!!… eu te avisei… Hospital geral de Luanda 4 anos, um prédio 3 anos e filho de chinês 4 meses!!! OBRA DE CHINÊS NÃO DURA! OBRA DE CHINÊS NÃO DURA! OBRA DE CHINÊS NÃO DURA!!!

 

Não tenho nada contra o povo chinês, e reconheço o trabalho e a dinâmica que trouxeram ao nosso país principalmente na área de construção civil. Essa piada ouvi no candongueiro e como achei ingressada estou a postar aqui.

Quanto as obras dos chineses não têm qualidade quando quem deve, neste caso nós angolanos, fiscalizar não o fazemos como deve ser o resultado são as estradas descartáveis e o mais trágico, um Hospital que nos custou tantos milhões nem fez cinco anos e já corre risco de desabar e o pior não se ouve falar em nomes dos culpados.

 foto retirada do www.opais.co.ao

publicado por beco1001 às 11:12
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música: Salute - Whitney Houston

02
Ago 10

 Até que enfim tive curiosidade para acompanhar o Gira bola no final da 19ª jornada, o campeonato são 32, as coisas “estão a pegar fogo” a luta pelo titulo está quente e para melhorar, e isso é o que me fez prestar um pouco mais de atenção, a disputa não é entre Petro (o pai grande) e o 1º d´agosto (sem gosto).

 

Recreativo da Caála, já ouviram falar deste time? E o Inter  club (36 pontos)que a três anos foi campeão pela primeira vez está na liderança seguido pelo Caála  (35 pontos) e Espantem! Bravos Maquis(32 pontos) é o terceiro colocado e já foi  líder na primeira volta por pelo menos três rodadas. Só de ver ou melhor  só de não ver os grande a levar o caneco de novo já me sinto satisfeito e espero que a luta pelo titulo do Gira 2010 seja grande até ao fim e que vença o melhor.

publicado por beco1001 às 16:14
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sinto-me:
música: Cece Winans - Albaster box

26
Mai 10

Os mais adultos dizem que os Congolenses não é mais o mesmo. Segundo o que contam, há não muito tempo as quitandeiras faziam a sua candonga dentro do mercado e mesmo um pouco apertadas vendiam a sombra e em bancadas de alvenaria e outras de madeira.

Dentro desse recinto os espaços estavam organizadamente separados. Quem adentrasse pelo portão principal deparava-se primeiro com a zona reservada a roupas, sapatos. As roupas eram expostas do alto para baixo e ocupavam os corredores como cortinas improvisadas num colorido sem igual. A esses produtos se misturavam aparelhagens de som, muitos deles funcionavam a pilha, que em alto volume tocavam musicas diferentes na tentativa de mostrar a potencia particular aos clientes interessados. Os corredores do mercado eram pequenos e com freqüência quem passasse por ali acabava por esbarrar nas outras pessoas e nos produtos expostos.

Por ali estava, também, o espaço reservado as bebidas, na sua maioria mercas importadas. As grades de gasosa e cerveja eram empilhadas de uma forma que lembravam os cartões postais das grandes cidades do ocidente.

Um pouco mais adiante o visitante deparava-se com um ambiente que oferecia de tudo um pouco. Virando-se a direita estavam as mamas que vendiam o peixe e a carne fresquinha, num talho improvisado, mas que oferecia as mínimas condições de higiene.

O mercado possuía uma espécie de praça de alimentação, a rigor, não era bem uma praça, mas sem duvidas era o lugar mais quente dos Congolenses. O local era dominado por senhoras que transpiravam enquanto cozinhavam em panelas enormes, que sentadas no carvão em brasa deixavam escapar vapor que transportava o cheiro irresistível da muamba, calulu, o feijão de óleo de palma, e o funji de bombo que era a preferência da maioria dos clientes que para variar optavam também pelo mufete de peixe grusso e o meia mungua. Muitos freqüentadores eram chefes de família, mas abdicavam do almoço em casa na companhia da prole pelo ambiente sempre festivo do mercado dos Congolenses. Em casa não havia tanta fartura assim, os miúdos lá em casa e o pai deles na praça a comer e a beber.

Com o êxodo desenfreado para Luanda e o crescente desemprego, muitas pessoas foram forçadas a juntar-se as quintandeiras nos diversos mercados da Capital vendendo qualquer coisa para sustentar a família. Com isso o cenário dos Congolenses também mudou. Os limites oficiais do mercado não comportavam mais a multidão que ali acorriam, por isso o cenário se transformou completamente. Aos poucos todos os espaços próximos estávamos tomados por mercadorias estendidas no chão, produtos sujeitos a poeira um verdadeiro retrato do caos da nova Luanda. (Extrato do livro Cacimbados, de Kachipepe)

publicado por beco1001 às 15:15
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